Bloco É Boneco :: O Carnaval da Família

 
   
 

A Família Viana e o Carnaval em Paracuru

Por volta de 1950, o patriarca da Família Viana, Agostinho de Paula Viana (o “Vovô”), construiu uma das primeiras casas de veraneio de que se tem notícia no então minúsculo povoado de Paracuru(casa hoje de propriedade de sua neta Maria Elizabeth Viana) . Iniciava-se aí a história e o grande amor da família Viana por aquela pequenina comunidade de pescadores.

Falar sobre Paracuru da década de 1950 é lembrar-se de um bucólico e aprazível vilarejo, sem estradas asfaltadas, sem telefone, sem energia elétrica e, enfim, sem a infra-estrutura que a cidade hoje oferece. Parece incrível, mas Paracuru é o único município cearense cuja sede localiza-se plenamente à beira-mar.

O acesso à cidade naquela época era realmente difícil, contava meu avô, Agostinho de Paula Viana Filho. A viagem durava o dia todo! A família saía sempre da Praça da Lagoinha bem cedo, ao nascer do dia, todos em cima do Caminhão Ford ano 1948, hoje ainda de propriedade da família, e em fase de recuperação. Nesse caminhão, além da família, tinham que levar de um tudo: geladeira(gás), guarda-roupas, mantimentos etc. E ainda levavam bagaço de cana para o caso de o caminhão atolar durante o percurso.

Proprietário de uma das maiores serrarias daquela época, a Serraria Viana, localizada na Praça da Lagoinha, em Fortaleza, Agostinho Viana sempre adorou a cidade de Paracuru, tendo, inclusive, doado bancos com a logomarca da Serraria Viana para a Praça da Matriz.

As férias escolares da época começavam em janeiro e só terminavam em março, fato que praticamente obrigava toda a família, já naquela época, a passar o período carnavalesco na pequena cidade.

Por volta da década de 1960, e já com a terceira geração da família passando férias na cidade, a família Viana, juntamente com outras tradicionais famílias veranistas e paracuruenses “da gema”, iniciaram um dos primeiros focos carnavalescos em Paracuru, com a barraca “Meladão” (referência à terra encharcada pelos olhos d'água onde a barraca fora construída), de propriedade de Orlando Meireles, um amigo da família.

Localizada na praia da Munguba, a barraca “Meladão” reunia as famílias em torno de uma charanga. Sucesso na época, a “Charanga do Meladão” reunia e integrava as famílias veranistas com as famílias da cidade.

Já na década de setenta, o paracuruense “Seu” Chico Adelino alugava a casa do Sr. Bitonho para realizar os primeiros famosos carnavais do que depois ficou conhecido como “Clube de Paracuru”. Animados pela “Banda do Pixuna” e pela sanfona de “João do Pife”, ilustres músicos paracuruenses, os bailes de carnaval do “Clube” (como era chamada a casa alugada), deram início a uma nova fase no carnaval da cidade.

Nessa fase do carnaval paracuruense, a família Viana, através dos sete filhos de Agostinho de Paula Viana Filho (Valdívia, Agostinho, Cléa, Beth, Eduardo, Cristina e Rinaldo), participava ativamente do carnaval, tendo organizado, por volta de 1975, o primeiro “Carnaval do Havaí”, primeiro baile de carnaval de Paracuru, inclusive pintando o muro do “clube” com bolinhas coloridas que caracterizaram por anos aquele estabelecimento.

Já em 1977, há exatos 30 anos, Fernando Antônio Santos da Silva, já casado com Maria Valdivia Viana Santos da Silva (uma das netas do patriarca da família) foram ambos coroados por Hermano Meireles, prefeito municipal da época, os primeiros Rei Momo e Rainha do carnaval paracuruense.

Na década de 1980 e início da de 1990, o carnaval passou por outra transformação. Entra em cena, o famoso “carnaval da praça”, que atraiu multidões de foliões que dançavam ao som do trio elétrico “Som da Praça”, e que madrugavam no não menos famoso “Ronco do Mar”, misto de bar e restaurante à beira-mar, que se transformava, dia e noite, ininterruptamente, em um enorme clube, com os foliões dançando e cantando ao avanço das marés. Quem não lembra a famosa canção “Zanzibar”, que cita Paracuru, composta por Armandinho e Fausto Nilo e gravada pelo A Cor do Som, em 1980, no LP ( é o novo! ) "Transe total".

Zanzibar

No azul de Jezebel
No céu de Calcutá
Feliz constelação
Reluz no corpo dela
Ai tricolor colar
É
Ás de maracatu
No azul de Zanzibar
Ali meu coração
Zumbiu no gozo dela
Ai mina aperta a minha mão
Alá meu “only you”
No azul da estrela
Aliás

Bazar da coisa azul
Meu “only you”
É muito mais que o azul de Zanzibar
Paracuru
O azul da estrela
O azul da estrela

Também nesta fase do carnaval paracuruense a família Viana esteve indiscutivelmente presente com um bloco de brincantes, que mudava de nome de acordo com atualidades, tipo: “EU GOSTO É ASSIM”, “SEMPRE-LISOS”,“ECOLISEIRA 92” ; “BATÔ-MUCHO”; LISÃO e outros. A família sempre alegrou a festa no município.

Com o passar dos anos, com a quarta geração da família e precisamente há oito anos, decidimos “batizar” oficialmente o bloco carnavalesco com o irreverente nome “É BONECO!”.

O bloco surgiu como uma resposta certeira à propalada decadência do carnaval paracuruense, que vinha se deteriorando ano após ano, fazendo com que os tradicionais veranistas abandonassem a cidade no período carnavalesco – menos a família Viana.

Hoje, o “É BONECO” consegue reunir dezenas de famílias veranistas, realizando uma festa segura em um perfeito ambiente familiar. No ano da criação, éramos apenas 120 foliões, já no ano de 2006, atingimos o total de quase 300 camisas confeccionadas, com a perspectiva de ultrapassar esse número agora em 2007.

Leonardo Viana Frota

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